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Escolas » Turismo Sustentável em Florianópolis

Uma  capital com praticamente metade de sua natureza protegida, praias deslumbantes, cultura local, redutos portugueses, inúmeras trilhas, gastronomia e multicultural. Assim  é Floripa, a cidade que arranca suspiros de quem a conhece e faz parte do sonho de muitos viajantes. Mas o que muita gente desconhece  é que a cidade é uma referência nacional em turismo sustentável.  Esse processo iniciou quando a agência de receptivo Ecoexperiências surgiu em 2013 para promover um turismo do bem na cidade, desejava ver o cuidado com a natureza local, valorização de saberes, o carinho com o viajante e a geração de renda para uma rede de pessoas.  O ano não poderia ser mais  afirmativo que a agência trilhou o caminho certo, onde a ONU declarou 2017 como o ano do turismo sustentável. “A declaração pela ONU de 2017 como o Ano Internacional de Turismo Sustentável para o desenvolvimento é uma oportunidade única de avançarmos na contribuição da indústria do turismo para a sustentabilidade econômica, social e ambiental, aumentando a consciência das verdadeiras dimensões do que é a indústria, por muitas vezes subestimada”, explicou o secretário-geral da Organização das Nações Unidas, Taleb Rifai.

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 O passeio mais conhecido com base no turismo sustentável,  é o roteiro para o Sul da Ilha, que inclui a visita a uma ONG as margens da Lagoa do Peri,  onde é possível conhecer a simpática lontra e  as ações de preservação,  o dinheiro da entrada é todo revertido para o projeto.  No mesmo roteiro, uma caminhada de 1.5km para uma praia tranquila, conhecida como do Saquinho, é acompanhada por um condutor ambiental que apresenta dados alarmantes da degradação Mata Atlântica, assim como identifica espécies medicinais e outras de uso de populações tradicionais. O final da trilha é recompensada por um delicioso almoço caseiro, na comunidade que vive sem acesso à rede elétrica. É uma família, onde todo mundo pega junto, a mãe é a cozinheira e pai e filho se dividem no atendimento. Além de ajudar na renda da família é uma forma de valorizar esse estilo de vida e trazer uma ocupação e orgulho para os jovens. Depois do retorno a trilha, o passeio continua até o Ribeirão da Ilha. Lá, uma manezinha gente boa recebe e apresenta o processo de cultivo de ostras, que hoje é responsável pela renda de mais de 100 famílias somente no bairro. Ostra fresca e o local ideal para experimentar da iguaria, por um preço acessível.

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O outro roteiro leva as praias do Norte  e o primeiro local visitado é composto pela paisagem de praia do Forte e  a Fortaleza de São José da Ponta Grossa, e a guia de turismo dá uma verdadeira aula de história, sobre colonização, invasões espanholas e as imigrações europeias. Posteriormente uma caminhada pela praia a Daniela, ao lado de uma unidade de conservação federal, onde o visitante conhece curiosidades do manguezal, observa caranguejos, aves e conhece espécies comestíveis da Mata Atlântica. Para o almoço, um restaurante familiar no Sambaqui, composto por uma antiga família do bairro na beira da praia, com uma comida deliciosa com base em frutos do mar. Do ladinho a mais bela interação com as simpáticas rendeiras de bilro. Uma associação de bairro, em um antigo casarão formado por rendeiras e artesãs, grande parte da terceira idade. Lindo de ver o processo, as cantorias e as histórias de vida. O espaço ainda conta com diversos artesanatos da comunidade. Depois das rendeiras uma caminhada pela bucólica Santo Antônio de Lisboa, com pastel de belém, arquitetura de base açoriana e com direito de caminhar pela primeira rua calçada de Santa Catarina, onde Dom Pedro II já passou.

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No final de 2015, a Ecoexperiências com base no turismo sustentável e fomento de comunidades, articulou também um roteiro na primeira reserva extrativista da Região Sul do Brasil, na Costeira do Pirajubáe. O roteiro faz uma visita a paisagens exclusivas,  áreas naturais protegidas pelo Instituto Chico Mendes de Biodiversidade (ICMBio), demostrando o uso de forma sustentável do meio natural por populações tradicionais. O visitante é recepcionado num rancho de pescador e vai de barco conhecer bancos de areia que se formam em meio ao mar da baía Sul, acompanhados de pescadores e extrativistas artesanais. Ao chegar nesses bancos, o turista conhece algumns moluscos locais, além de tentar a sorte e jogar a rede de pesca. Além da paisagem, o visitante com certeza se encanta com as histórias de vida e degusta de deliciosa comida caseira. “O projeto só fez sentido para a Ecoexperiências, quando percebemos que aqueles homens representavam a resistência no centro da capital catarinense, são pessoas que sustentaram grandes famílias a bordo de um barco e que com crescimento da cidade tiveram que abandonar seus ranchos por um período e perderam parte de sua matéria prima que vinha do mar. Hoje, através de muitos esforços, retomam seu espaço. São pessoas repletas de conhecimentos etnobiológicos e conscientes da importância da relação harmônica entre homem e natureza”, conclui emocionada a proprietária Jaqueline Vargas.

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A agência atua com os mais diversos públicos, turismo pedagógico, eventos, incentivo, terceira idade, além de experiências personalizadas. As trilhas fazem parte da expertise da agência, como da Lagoinha do Leste, Naufragados, Barra da Lagoa, Costa da Lagoa e outras;
 
O que? Passeios ecológicos e culturais
Quando? De quinta  domingo
Quem? www.ecoexperiencias.com.br
 

Texto produzido por Jaqueline Vargas, jornalista, guia de turismo em Florianópolis, condutora cultural do centro histórico, condutora ambiental de Trilhas e coordenadora da agência Ecoexperiências.